Manutenção de Software · CTO

Métricas de Manutenção de Software

Como saber se a manutenção está saudável e se você está evoluindo? Este documento traz métricas simples e acionáveis, ligadas às fases do roadmap-maturidade.md.

Cuidado com a métrica que vira meta. Métrica serve para enxergar tendência e conversar, não para caçar culpados. Um número que vira alvo deixa de ser um bom indicador.


1. As 4 métricas DORA

As métricas DORA (DevOps Research and Assessment) são o padrão de mercado para medir a saúde de entrega e manutenção de software. São só quatro, e cobrem duas dimensões: velocidade e estabilidade.

Métrica O que mede Traduzindo Bom sinal
Deployment Frequency Com que frequência você coloca em produção Você entrega em pequenos pedaços ou em grandes blocos raros? Mais frequente = mudanças menores e menos arriscadas
Lead Time for Changes Tempo de "código pronto" até "em produção" Quão rápido uma mudança chega ao usuário? Menor = pipeline saudável
Change Failure Rate % de deploys que causam falha Quantas vezes o deploy quebra algo? Menor = qualidade da rede de segurança
MTTR (Mean Time To Recovery) Tempo para se recuperar de uma falha Quando quebra, quanto tempo até voltar? Menor = boa visibilidade e reversibilidade

A leitura conjunta importa mais que cada número isolado:

  • Velocidade (frequency + lead time) alta com estabilidade (failure rate + MTTR) ruim = você entrega rápido e quebra muito.
  • Estabilidade alta com velocidade baixa = você é seguro mas lento demais.
  • O alvo é evoluir as duas dimensões juntas — e é exatamente isso que os pilares e o roadmap constroem.

2. Métricas de dívida técnica e qualidade

Complementam as DORA olhando para a saúde interna do código e do esforço do time.

Métrica O que mede Como ler
Cobertura de testes % do código coberto por testes automatizados Foque nos fluxos críticos primeiro; 100% não é meta, confiança é
Tempo em corretiva vs. evolutiva Quanto do time apaga incêndio vs. constrói Muito tempo em corretiva = dívida cobrando juros
Idade das dependências Quão desatualizadas estão as bibliotecas Dependências velhas = risco de segurança e dívida silenciosa
Vulnerabilidades conhecidas Nº de brechas abertas nas dependências Tendência importa: subindo é alerta
Tamanho do backlog de dívida Itens de dívida técnica registrados O objetivo não é zero — é que não cresça sem controle
Bus factor Nº de pessoas cuja saída paralisaria um módulo 1 = risco crítico; a meta é sempre > 1 nos módulos-chave

A métrica mais reveladora nesse porte de empresa costuma ser tempo em corretiva vs. evolutiva. Se o time vive apagando incêndio, é sinal de que os pilares 1–3 ainda estão fracos. Quando essa fatia domina o tempo (a demanda urgente supera a normal), você está em Modo Crise — trate isso antes de mais nada.


3. Sinais de alerta (red flags) por fase

Sintomas que indicam que algo na sua fase atual está regredindo ou foi pulado.

Fase Red flags
1 · Estabilizar Cliente avisa da queda antes de você; ninguém sabe subir o sistema do zero; backup nunca foi testado
2 · Prevenir Deploy continua manual e tenso; correção gera novos bugs; PRs entram sem review
3 · Otimizar Velocidade do time cai a cada trimestre; "depois a gente arruma" crônico; estimativas de tarefas simples explodem
4 · Escalar Boas práticas dependem de heróis; os ~20% de manutenção viram a primeira coisa cortada sob pressão; onboarding leva meses

4. Qual métrica priorizar em cada fase

Não meça tudo de uma vez. Cada fase do roadmap tem um foco natural de medição.

Fase Priorize medir Por quê
1 · Estabilizar MTTR e cobertura de alertas O foco é recuperar rápido e enxergar problemas
2 · Prevenir Change Failure Rate e cobertura de testes (fluxos críticos) A rede de segurança precisa reduzir quebras
3 · Otimizar Lead Time, tempo corretiva vs. evolutiva, backlog de dívida O foco é destravar velocidade pagando dívida
4 · Escalar Deployment Frequency, bus factor, as 4 DORA em conjunto O foco é consistência e autonomia em escala

Como começar a medir (mínimo viável)

Você não precisa de uma stack de observabilidade sofisticada para começar:

  1. Escolha 1 métrica ligada à sua fase atual (veja a tabela acima).
  2. Meça manualmente por algumas semanas se necessário — uma planilha já vale.
  3. Olhe a tendência, não o número absoluto. Está melhorando ou piorando?
  4. Use na conversa de priorização com o time e com o negócio, mostrando o custo real de adiar manutenção.
  5. Automatize a coleta só quando a métrica provar que é útil de acompanhar.

➡️ Para escolher a métrica certa, confirme sua fase atual no roadmap-maturidade.md e entenda o pilar por trás dela em conceitos-pilares.md.

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